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O desafio invisível que consome tempo e dinheiro na logística
Em muitos Centros de Distribuição (CDs), um dos maiores gargalos operacionais não está na separação dos produtos, mas sim na consolidação das cargas destinadas às lojas. O processo de remonte, caracterizado pela junção de produtos provenientes de diversos setores em um único pallet ou roll container, gera um efeito cascata que impacta diretamente a produtividade, a acuracidade e os custos logísticos.
Ao observar operações de varejo e atacarejo, é comum encontrar um mesmo roll container contendo produtos de diversos setores, cada um identificado por etiquetas individuais. Essa prática exige múltiplas conferências, aumenta o tempo operacional e amplia significativamente o risco de erros.
Onde está o desperdício?
Imagine uma carga destinada a uma única loja contendo produtos dos setores de mercearia, bebidas, limpeza, bazar e perecíveis.
Cada setor realiza sua separação individualmente e gera suas próprias etiquetas. Quando esses volumes chegam à área de expedição, surge a necessidade de consolidar tudo em um único equipamento logístico.
O resultado normalmente é:
Conferência manual demorada;
Dificuldade na identificação rápida de divergências;
Congestionamento nas áreas de staging;
Aumento da movimentação interna;
Retrabalho no recebimento das lojas.
Em muitos casos, o operador passa mais tempo procurando informações nas etiquetas do que efetivamente validando a carga.
O papel do WMS na transformação operacional
A tecnologia já permite eliminar grande parte dessas atividades manuais.
Com um WMS (Warehouse Management System) integrado aos coletores RF, cada volume separado pode ser vinculado automaticamente a uma unidade logística única durante o processo de consolidação.
Ao invés de trabalhar com dezenas de etiquetas, a operação passa a utilizar apenas um identificador logístico principal.
Essa mudança reduz drasticamente a dependência da conferência visual e aumenta a rastreabilidade da carga.
O modelo ideal: SSCC e QR Code Único
Uma das melhores práticas adotadas pelos grandes operadores logísticos é a utilização do SSCC (Serial Shipping Container Code).
Nesse modelo, cada pallet ou roll container recebe um código único que concentra todas as informações da carga.
Ao escanear um QR Code ou código de barras vinculado ao SSCC, o sistema apresenta automaticamente:
Loja de destino; Quantidade total de volumes; Quantidade de caixas; Setores consolidados; Rota de transporte; Status da carga; Divergências identificadas.
O operador deixa de analisar várias etiquetas e passa a realizar apenas uma leitura.
Como funciona o processo TO BE
O fluxo operacional ideal segue uma lógica simples:
Pedido da loja → Separação por setor → Leitura RF → Consolidação automática → Geração do SSCC → Etiqueta Master → Conferência RF → Expedição → Recebimento por leitura única.
Nesse modelo, o sistema passa a controlar a carga e não mais o operador.
A conferência deixa de ser visual e passa a ser sistêmica.
Benefícios para a expedição
A adoção de uma etiqueta master associada ao SSCC gera ganhos expressivos:
Menor tempo de conferência;
Redução de erros operacionais;
Menor ocupação das áreas de consolidação;
Aumento da produtividade dos conferentes;
Melhor rastreabilidade das cargas.
Além disso, a gestão passa a ter indicadores mais precisos sobre produtividade, acuracidade e desempenho da operação.
Ganhos no recebimento das lojas
O benefício não fica restrito ao Centro de Distribuição.
Nas lojas, o processo também se torna mais rápido e confiável.
Ao receber a carga, basta uma única leitura do QR Code para que o sistema valide automaticamente:
Quantidade recebida;
Volumes faltantes;
Divergências;
Status do recebimento.
O tempo gasto na conferência pode ser reduzido em mais de 70%, dependendo do nível de automação adotado.
O futuro da conferência logística
A logística moderna caminha para processos cada vez mais digitais e integrados.
Empresas que ainda dependem de múltiplas etiquetas e conferências manuais enfrentam maiores custos operacionais e menor produtividade.
A combinação entre WMS, coletores RF, SSCC e QR Code representa um caminho sólido para reduzir desperdícios, eliminar atividades sem valor agregado e aumentar a eficiência operacional.
Mais do que uma melhoria tecnológica, trata-se de uma mudança de conceito: substituir a conferência visual por validações sistêmicas inteligentes.
Em um mercado cada vez mais competitivo, essa transformação pode representar a diferença entre uma operação eficiente e uma operação constantemente sobrecarregada por retrabalhos.
Fonte blog logisticabrsp.com.br




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